Play Pequeno Monge Agostiniano – Solenidade de Cristo Rei do Universo – Ano C

Liturgia da Palavra
2Sm 5, 1-3
Sl 121, 1-5
Cl 1, 12-20
Lc 23, 35-43



Para compreender este evangelho que inicia apresentando ao povo que permanece aí, olhando, cabe-nos perguntar: o que olha?

Para achar a resposta vamos ler os versículos anteriores a este texto: “Quando chegaram ao chamado «lugar da Caveira», aí crucificaram Jesus e os criminosos, um à sua direita e outro à sua esquerda” (Lc 23, 33).


Na solenidade de Cristo Rei a Igreja nos convida a dirigir nosso olhar a Jesus Crucificado e, como o povo, permanecer ali… olhando-O.

– O que vemos?

Certamente não é a imagem de rei que estamos acostumados a ver nos livros de história, nos jornais ou meios de comunicação de hoje, famosos, ricos e poderosos.

Diante de nós aparece um homem judeu, jovem, sofrendo injustamente, a maior pena aplicada aos réus daquele tempo, a crucificação.

– O que escutamos?

Não são aplausos, nem aclamações de apoio ou vitória, senão palavras de burla, zombaria e decepção. Muitos dos que estavam ali tinham acreditado que Ele seria o novo Messias que os libertaria da escravidão do Império. Talvez, fazendo mais silêncio, chegamos a escutar algumas palavras de tristeza diante da morte de um homem tão bom que fez tanto bem.

Sem dúvida, a proposta do reinado de Deus, da qual Jesus é Rei, não só é contrária a qualquer lógica, senão que até resulta uma loucura escandalosa: “Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1Cor 1,23) até os dias de hoje.

Olhemos de novo para Jesus crucificado, Rei dos Judeus, e peçamos-lhe que nos faça conhecer o que ele vive, sente nesse momento.
As palavras dos dois criminosos que se encontram um a cada lado de Jesus e o diálogo que tem com um deles, pode nos ajudar a adentrar-nos no coração do nosso Rei.

O primeiro, incapaz de reconhecer sua realidade e cheio de falsa suficiência, desabafa sua raiva e desespero com Jesus. E a resposta que obtém dele é o silêncio paciente.

– Quantas vezes Jesus teve conosco este silêncio paciente?

As palavras de Pedro podem iluminar esta paciência de Jesus com este homem e com cada um, cada uma de nós: “Considerem que a paciência de Deus para conosco tem em vista a nossa salvação” (1Pd 3,15).

O segundo criminoso tem uma atitude totalmente diferente. Suas palavras revelam que é ciente de sua condição de malfeitor, de pecador, e desde essa situação humildemente pede a Jesus: «Jesus, lembra-te de mim, quando vieres em teu Reino».

Este homem nos ensina duas coisas, a primeira é que não importa o que tenhamos feito, nem a situação em que nos encontremos, sempre temos a capacidade e a possibilidade de nos dirigir confiadamente a Jesus, pedindo-lhe o que precisamos.

Seu segundo ensinamento é sua fé, sua oração é uma proclamação de fé, semelhante à confissão do oficial romano aos pés da cruz que nos narra Mateus: “O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo o que havia acontecido, ficaram com muito medo, e disseram: ‘De fato, ele era mesmo Filho de Deus! ’” (Mt 27,54).

Sem dúvida que este pedido comoveu o coração de Jesus, ao ponto que sua resposta supera o pedido e surpreende: “Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso”.

Quanta misericórdia brota de Jesus Crucificado! Não é o sofrimento que nos salva, é o amor misericordioso do Pai revelado na entrega máxima de seu Filho o que nos salva, nos reconcilia!

Na cruz Jesus manifesta seu reinado, que é um reinado da Misericórdia, onde nascemos como filhos e filhas de Deus, irmãos de todo o criado!


A festa litúrgica de hoje é um convite a viver e expandir a festa da Misericórdia num mundo crucificado de maneiras tão diferentes.