Tempo do Advento (Ano A) – Introdução (III): O Presépio



“Vinde adoremos!”
Este é o convite que nos faz cada presépio que montamos e que contemplamos!
O termo presépio vem do latim “præsæpe” e significa estrebaria, curral, estábulo. Foi num destes espaços que nasceu a figura, real e histórica, conhecida para a posterioridade com o nome de Jesus. Não foi o desejo de Sua Mãe e de Seu Pai, Maria e José, que Ele nascesse nesse lugar, mas foi o único que lhes concederam no momento de Seu nascimento.


O presépio é uma das representações mais singelas do nascimento de Jesus Cristo, pois procura resgatar a importância e a magnitude daquele momento ao mesmo tempo em que nos recorda a forma simples e humilde em que se deu o nascimento de Nosso Senhor e Salvador.
A presença do menino Deus naquele estábulo, ao lado de seus pais, tendo por testemunhas os pastores e os animais e recebendo a visita dos Reis Magos, guiados à gruta pela estrela de Belém, mostra a grandeza e a onipotência de Deus representada na fragilidade de uma criança. Sim, porque Deus não veio ao mundo como adulto, mas na fragilidade de uma criança!
Historicamente, o “Presépio” foi criado por São Francisco de Assis em 1223 em companhia de Frei Leão e com a ajuda do senhor Giovanni Vellina. Ele simplesmente montou em uma gruta da floresta na região de Greccio, Itália, a encenação do nascimento de Jesus.
Na época já havia 16 anos que a Igreja tinha proibido a realização de dramas litúrgicos nas Igrejas, mas São Francisco pediu a dispensa da proibição, desejoso que estava de lembrar ao povo daquela região a Natividade e o Amor a Jesus Cristo. O povo foi convidado para a missa e ao chegarem à gruta encontraram a cena do nascimento vivenciada por pastores e animais.
São Francisco morreu dois anos depois, mas os Frades Franciscanos continuaram a representação do presépio utilizando imagens.
No Brasil, a cena do presépio foi apresentada pela primeira vez aos índios e colonos portugueses em 1552, por iniciativa do jesuíta São José de Anchieta. Mais tarde, a partir de 1986, São Francisco foi instituído o patrono universal do presépio.
Já os reis Magos, em uma interpretação mais recente, são lembrados como um símbolo de toda a Humanidade que vem adorar o Seu Salvador: Gaspar representaria a África; Melquior, a Europa; e Baltasar, a Ásia. América naquele momento não era conhecida.
Em termos pastorais, o Presépio foi organizado por São Francisco para visualizar, sensibilizar e facilitar a meditação da mensagem evangélica do mistério de Jesus Cristo, que nasce na pobreza e na simplicidade para fazer o homem mais divino: Ele é o Filho de Deus feito homem, irmão de todos os demais homens e em perfeita harmonia com toda a Criação. Assim, cada figura do presépio tem seu conteúdo evangelizador e faz-se necessário explicitá-lo, captá-lo e vivenciá-lo:
a)    Maria: a esposa, a mãe, a companheira fiel, pura, digna, cumpridora da vontade de Deus ("Eis aqui a serva do Senhor... !"); a mulher que educa, ora, medita em seu coração os mistérios da maternidade; aquela que sofre mas que é toda doação e dedicação...
b)    José: o esposo, o companheiro; o pai, o homem que ama, trabalha, é o amor responsável; o homem que respeita, que sustenta, que orienta; o homem de oração e do silêncio ...
c)    Os animais, o feno, a gruta: a natureza toda a serviço do homem e de Deus, pois quem acolhe o homem, acolhe a Deus ...
d)    O Menino Jesus : o Deus feito Homem para nos salvar ! O grande presente de Deus para toda a Humanidade.
e)    Os anjos: os servidores e mensageiros de Deus, os anunciadores da Boa Nova, a notícia do nascimento de Jesus, o Emanuel, o Deus conosco.
f)       Os pastores : os simples, os pobres e os humildes de coração; todas as pessoas de boa vontade que estão à escuta, que buscam a Deus com sinceridade de coração e que por saberem ler os sinais dos tempos, saem de si mesmos ao encontro dos demais e leem no outro a presença de Deus ...
g)    A estrela: a guia, a luz, o ideal e o sentido de Deus em nossas vidas ...
h)    Os Reis Magos: resumem todo o saber da época que procura o verdadeiro Deus e Homem ! Também representam todos os povos, raças e nações que vem adorar o Seu Salvador.
Como sugestão pastoral para a montagem do presépio, especialmente com as crianças, sugiro a seguinte ordem:
1º Domingo do Advento: Maria e José.
2º Domingo do Advento: os animais.
3º Domingo do Advento: os anjos.
4º Domingo do Advento: os pastores.
Natal: o Menino Jesus e a estrela!
Epifania do Senhor: os Reis Magos.
Mas também, durante a Novena de Natal, outra cronologia para a montagem do Presépio será oferecida.
Contudo, o importante é que na pobreza do Presépio não tenhamos medo de meditar o Mistério da Encarnação, buscando encontrar-nos com o verdadeiro Deus que se faz humilde para nos ensinar que a maior riqueza não está naquilo que se tem, mas sim naquilo que se é: todos somos filhos de Deus no Seu Filho... E, portanto irmãos! Essa é a nossa dignidade batismal.
Nesse sentido, para a Lectio Divina, como fontes bíblicas que inspiraram o Presépio, podemos utilizar os seguintes Evangelhos:
(Lucas 2, 1-20)
Já, para os Reis Magos:
(Mateus 2, 1-12)
E retornando à figura de São Francisco de Assis, por quem começamos, finalizemos recordando-nos:
"No presépio se honra a simplicidade, 
se exalta a pobreza,  se elogia a humildade". (Fontes Franciscanas, I Cel. 85) Amém!