Play Pequeno Monge Agostiniano – 2º Domingo do Advento – Ano A


Liturgia da Palavra
Isaías 11,1-10
Salmos 72(71),1-2. 7-8.12-13.17
Romanos 15, 4-9
Mateus 3,1-12


Neste segundo domingo do Advento a Igreja faz ecoar até os dias de hoje as palavras de João Batista: «Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo».

Esta exortação está presente em toda a Bíblia, de modo particular na pregação dos profetas que continuamente convidam ao povo a “voltar para Deus”, para pedir-lhe perdão e mudar seu estilo de vida.


Converter-se, significa mudar de direção e dirigir-se novamente ao Senhor, na certeza de que Ele nos ama e o seu amor é sempre fiel.

Para acolher a ternura de Deus que nos traz o menino Jesus no próximo Natal, precisamos aceitar hoje o convite à conversão que nos faz o Batista.

O passo seguinte neste processo de volta a Deus é dar-se conta onde cada um/a de nós está por quais caminhos está indo a nossa vida?

Respondamos estas perguntas desde o olhar misericordioso de Deus que “sabe ler no coração de cada pessoa incluindo o seu desejo mais profundo e que deve ter primazia sobre tudo” (Misericordia et Misera 1).

E continuando com as palavras da carta do Papa Francisco podemos afirmar que a Misericórdia ajuda a olhar para o futuro com esperança, prontos para recomeçar nossa vida, a partir de agora se quisermos, poderemos proceder no amor (Ef 5,2).

Estas últimas palavras da carta aos Efésios, “proceder no amor” é a exigência que o Batista coloca aos fariseus que o escutavam: “Façam coisas que provem que vocês se convertam”.

Ou seja, a conversão não é mágica e não acontece da boca para fora, a mesma é um processo, um caminho marcado pela graça de Deus que se manifesta num estilo de vida pautado pelo amor, pela compaixão diante as necessidades de nossos irmãos e irmãs.

Por isso toda nossa vida é um processo de conversão permanente, mas a sabedoria da Igreja nos oferece tempos especiais para que retomemos esperançosa nossa caminhada, o tempo de Advento é um deles.

E tem sua lógica porque que nos precede no Amor, É a quem esperamos ansiosamente, nas palavras do Profeta: “Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo”.
Semelhante promessa requer de nós uma preparação amorosa, uma vida coerente, que anuncie desde já a beleza, a ternura e a força do Emanuel, Deus conosco.

Em continuação um trecho do texto de Cecilia Meireles, Primavera, pode ajudar a compreender desde outra linguagem o tempo de advento, tempo de conversão e esperança:

“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega. Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores”.