Play Pequeno Monge Agostiniano – Solenidade da Imaculada Conceição de Maria

 Liturgia da Palavra


Gn 3, 9-15.20
Sl 97 (98), 1. 2-3ab. 3cd-4
Ef 1, 3-6.11-12
Lc 1, 26-38




Um professor ateu, querendo justificar “cientificamente” aquilo que a Igreja chama de “pecado original”, dava o exemplo da saúde física: se alguém não cuida do seu corpo, então ficará doente e transmitirá essa doença aos seus filhos. Assim se explicaria a crença cristã da transmissão do pecado original. Mas, é justo que os filhos sejam punidos pelos crimes dos pais? Se Deus é realmente um justo juiz, pode permitir que uma criança inocente receba o castigo pelo pecado dos pais?


No nosso pecado, a pena está intrinsecamente ligada ao ato, não é imposta externamente, mas é consequência direta do fato. Como no caso das doenças: o médico pode dizer-nos que se continuamos a viver assim ficaremos doentes, mas não é ele que nos dá a doença: ele prescreve a cura. Jesus veio como médico para nos curar, seja das nossas doenças pessoais, seja daquela “hereditária”, o pecado original. Mas como entender a hereditariedade do pecado original? Se nós dissermos que alguém recebeu dos seus pais só miséria, estamos a afirmar que não recebeu o que seria bom que tivesse recebido.

Podemos dizer algo semelhante sobre o pecado original: nós não recebemos a graça que poderíamos ter recebido porque ninguém pode transmitir aquilo que não tem. Neste sentido, o pecado original é transmitido como graça que se perdeu e que, portanto, não pode ser herdada.

A primeira leitura coloca-nos diante da nossa realidade sem Deus: não aceitarmos a nossa condição humana e querermos afirmar a nossa independência e autonomia leva-nos, paradoxalmente, à dependência e à morte. Esta passagem não nos apresenta um pecado concreto, mas a dinâmica de cada pecado cometido: a afirmação de si próprio. Por outro lado, a segunda leitura transmite-nos uma surpreendente mensagem de alegria: num longo hino pelas bênçãos de Deus aos homens anuncia-se aquilo a que somos chamados: Deus «nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença».
É nesta certeza que celebramos hoje a solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Em Maria, que não recebeu a hereditariedade do pecado original, a plenitude da graça recebida de Deus libertou-a de todo o pecado desde o início da sua vida. Ela viveu sem se escolher a si própria, mas escolhendo sempre a vontade de Deus. Isto tem consequências claras também para a nossa vida espiritual. A missão de Maria, que ela aceitou, foi a razão pela qual foi purificada desde o nascimento.


Também nós somos chamados, somos escolhidos, somos eleitos para uma missão na edificação do reino de Deus. Se estamos conscientes da nossa missão e colaboramos na nossa vocação, é a graça de Deus que nos purifica progressivamente do pecado e nos conduz à santidade e à perfeição.